Manual do Trilheiro – Picada de Cobra, o que fazer?

10.07.2017

Antes, gostaria de deixar claro que não sou biólogo nem médico, ou seja, não sou especialista, meu conhecimento técnico sobre este assunto é superficial, porém, não significa que não pesquisei sobre. A intenção desta postagem é tentar prestar um serviço público, pois faço trilhas com grupos e eventualmente podemos nos deparar com uma situação adversa, ao encontrar alguma animal venenoso. Então pensei, entre não saber nada e ter alguma informação... Segue a postagem, que pode servir de referência para outras pessoas.

A maior parte das informações, extraí do canal do you tube, do Celso Cavallini, em entrevista do Giuseppe Puorto, diretor do Instituto Butatan na época. Por sinal, ótima entrevista, vale a pena assisti-la na integra. Segue link:

https://www.youtube.com/watch?v=X3q8Lm2rlOE

 

No Brasil temos quatro grupos de cobras peçonhentas, as Jararacas e Jararacussus, as Cascavéis, as Surucucus e as Corais, as quais possuem peçonha hemotóxica ou neurotóxica. As Jararacas ocorrem em todo território nacional, por este motivo e pela sua natureza agressiva, são as maiores causadoras de acidentes. As cascavéis estão mais restritas as regiões de Mata Atlântica e Amazônia, já as Surucucus incidem nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. A coral, apesar de estar presente em todo e território nacional, é a espécie que menos causa os acidentes, devido principalmente a sua baixa agressividade.

 

Dicas e Curiosidades

No Brasil, todas as cobras peçonhentas tem fosseta loreal, (com exceção da cobra coral) que é um orifício bem visível, entre os olhos e a narina. Esta é a forma mais exata de afirmar se uma serpente é peçonhenta ou não. Em relação a Coral, use como regra considera-las todas potencialmente venenosas, pois é muito difícil diferenciar a coral verdadeira da falsa, como é designada popularmente.

Se você quiser chamar um órgão para capturar uma cobra, o mais aconselhado é o Centro de Zoonoses. Se na sua região não possuir este órgão, chame os Bombeiros.

 

Lendas Urbanas

Cobras te perseguem para te picar?

Não, a serpente só irá te picar se estiver acuada ou for incomodada. Tanto é que, quando incomodada, a serpente dá sinais de que você deve se afastar, chacoalhando o guizo, se enrolando para dar o bote, algumas fazem um tipo de som como se estivesse bufando. Se possível, certamente a cobra irá fugir.

Quando for picado, devo fazer um torniquete acima da picada?

Não, se fizer isso irá agravar o problema, pois irá impedir a circulação do sangue e a peçonha irá se acumular naquela única região, dificultando que o organismo tente combater a toxidade na região afetada.

Devo sugar o local da picada?

Não, isso é bobagem. O veneno é introduzido por pressão, mesmo que você sugue algum sangue com peçonha, será mínimo, não fará diferença, pois a peçonha cai na corrente sanguínea instantaneamente.   

 

O que fazer quando sou picado por uma cobra?

1 – A primeira coisa a se fazer é manter a calma, pois quanto mais acelerado e afoito você ficar, mais sua frequência cardíaca irá aumentar e com mais velocidade o veneno se espalha pelo corpo;

2 – A segunda ação, depois de estabilizar o acidentado, é higienizar o local da picada, com sabão, sabonete, só água, o que estiver a mão, isso irá diminuir a possibilidade de infecções secundárias, já que a cobra é um animal silvestre, se alimenta de roedores e outros animais e sua boca carrega uma serie de bactérias;

3 – Após tranquilizar e higienizar a pessoa picada, chamar resgate (193) e tentar se deslocar para o medico mais próximo. Um dado importante, a não ser que a pessoa seja alérgica. O tempo de reação, ou o tempo ótimo para receber o soro antiofídico, é de 6 a 10 horas em média, isso para qualquer cobra peçonhenta no Brasil. Portanto se desesperar só atrapalha, você pode sofrer um acidente secundário e piorar ainda mais a situação.

Dica: Se possível, tente identificar a cobra tirando uma foto ou memorizando características do animal, isso ajudará o medico a identificar qual soro deve ser administrado (anticrotálico para cascavel, antibotrópico para jararaca e jararacussu). Em hipótese alguma tente capturar a serpente para levar para o medico, você pode sofrer mais picadas e agravar ainda mais a situação.

4 – Ao se deslocar para o medico, tentar manter o local da picada levemente erguido, isso irá evitar o inchaço característico.

Para finalizar, não mate cobras, normalmente nós humanos é que invadimos o habitat desses importantes animais, se você se deparar com uma serpente, ignore-a, deixe-a ir embora, no máximo a observe de longe. Tenho certeza que essa atitude não causará nenhum risco para ambas as partes.

 

Dica: Ao caminhar na mata use botas de couro ou perneira de couro, pois a maioria dos acidentes ocorre do joelho para baixo. Importante que seja couro de boa qualidade.

 

 

Boa trilha!!! 

 

 

 

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